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A Espada Martinista

Posted on Oct 07 , 2011 in Trabalhos Martinistas

A Espada Martinista

A Espada Martinista

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No início de uma sessão ritualística, ao serem-nos revelados os símbolos, vemos o Sapientíssimo Mestre a, silenciosamente, pousar sobre o Livro Sagrado aberto aquele que considero ser um dos símbolos mais significativos presente nos nosos Trabalhos: a Espada Martinista.

À estranheza inicial da minha primeira sessão – que lugar terá no ritual uma arma cujo fim é a luta e a morte, numa via iniciática que trilha o Caminho Cardíaco e do Amor? -, revela-se pouco a pouco o seu real simbolismo, que é Vida, não simplesmente a morte.

Ao longo da História da Humanidade, transversalmente a todas as culturas, a espada é assumida como símbolo de autoridade e poder e da legitimidade desse poder para se defender e atacar. A sua posse e utilização é previlégio de uma elite guerreira idealmente formada pelos homens mais bravos e corajosos, de espírito mais puro e ao serviço da justiça, da ordem e do bem-estar social. Durante a Idade Média, e até aos nossos dias, torna-se o símbolo por excelência do ideal cavaleiresco, pois a espada consagra o Cavaleiro, dando-lhe a autoridade, e aquela que lhe era entregue só poderia ser utilizada na defesa da lei, da justiça e da ordem ou para atacar a ilegalidade, a injustiça e tirania e as forças do caos e da desordem. A autoridade com que o Cavaleiro era investido, em virtude da sua honra, do seu valor, da sua rectidão e actuação ponderada e equilibrada, encontrava na espada o reflexo visível e simultâneamente era o símbolo da sua força e vontade espiritual.

Ligando toda a imagem profana da espada à Espada Martinista, mas
transportando-a para um conceito esotérico, a sua presença em Loja estabelece a mesma imagem de defesa e ataque, bem como de autoridade legítima. Ao ser manipulada exclusivamente pelo Mestre da Loja, revela-nos quem legítimamente se encontra investido da autoridade para conduzir os Trabalhos e a que cumpre a responsabilidade primária pela ordem e harmonia dos mesmos, salvaguardando-os da interferência do mundo profano e do ataque das forças das trevas e do caos. No entanto, sendo colocada no centro físico e espiritual da reunião dos Irmãos, indica que o papel de defesa e ataque cabe a todos e a cada um dos Frateres e Sorores, pelo que o papel individual de cada um na harmonia e elevação dos Trabalhos é activo, não meramente passivo, promovendo e cimentando, deste modo, o espírito de partilha e o sentimento de Fraternidade.

O seu simbolismo esotérico ultrapassa o de símbolo de combate e autoridade, pois a sua colocaçã o sobre o Livro Sagrado, manifestação do Verbo Divino, não é casual. Torna-se ela própria manifestação do Verbo, acentuando com o seu duplo gume a dupla função construtora e destruidora: constrói a paz e harmonia, a justiça e estabelece a ordem, destrói a tirania, a injustiça e toda a forma de caos. O brilho da sua lâmina associa-se à Luz que se encontra potencialmente revelada nos textos do Livro Sagrado, e neste prisma, é veículo de comunicação do Divino e a sua utilização deixa de depender da vontade própria de quem a manuseia mas sim da Vontade inspirada com o propósito de combater as Forças das Trevas e da Ignorância, impondo Luz e Conhecimento. Acorrecta colocação com a ponta da Lãmina apontando o norte do Templo simboliza o papel de Guardião pois é nessa direcção que as trevas são mais densas.

Este breve aflorar pessoal do simbolismo da Espada Martinista está longe de aqui se ter esgotado. Pelo contrário, a sua riqueza e profundidade só me poderá ser desvelada pouco a pouco associando-se ao Caminho, que comecei a percorrer dentro da Ordem, da descoberta interior do meu Eu. No entanto já não olho para a Espada como uma simples arma, um instrumento letal da panóplia de guerra para infligir morte: é a insígnia e fortaleza de quem, ultrapassando as paixões mundanas e a vontade própria, se obriga e se dedica ao serviço da Paz, da Justiça e da Ordem, abrindo caminho à Luz.

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Reflexão de um Associado Martinista.

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Um comentario → “ A Espada Martinista ”


  1. Lelio Moreira dos Anjos

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    Sou Martinista da Tradicional Ordem Martinista, qual a diferensa?
    tenho lido no computados, sobre esta Ordem e gosto muito


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